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12 de dezembro de 2000

As origens do pingüim
Luiz Paulo Maia *

Na década de 1960, inúmeros esforços foram direcionados para o desenvolvimento de um verdadeiro sistema operacional de tempo compartilhado que viesse a substituir os sistemas batch da época.

Em 1965, o Massachussets Institute of Technology (MIT), a Bell Labs e a General Electric se uniram para desenvolver o MULTICS (MULTiplexed Information and Computing Service). Em 1969, a Bell Labs retirou-se do projeto, porém um de seus pesquisadores envolvido no projeto, Ken Thompson, desenvolveu sua própria versão do sistema operacional, que veio a se chamar UNICS (UNiplexed Information and Computing Service) e, posteriormente, Unix.

O Unix foi inicialmente desenvolvido em assembly para um minicomputador PDP-7 da Digital. Para torná-lo mais fácil de ser portado para outras plataformas, Thompson desenvolveu uma linguagem de alto nível chamada B e reescreveu o código do sistema nessa nova linguagem. Em função das limitações da linguagem B, Thompson e Dennis Ritchie, também da Bell Labs, desenvolveram a linguagem C, na qual o Unix seria reescrito e, posteriormente, portado para um minicomputador PDP-11 em 1973.

No ano seguinte, Ritchie e Thompson publicaram o artigo “The Unix Timesharing System” (Ritchie e Thompson, 1974) que motivou a comunidade acadêmica a solicitar uma cópia do sistema. Na época, a Bell Labs era uma subsidiária da AT&T e, mesmo tendo criado e desenvolvido o Unix, não podia comercializá-lo devido às leis americanas anti-monopólio, que impediam seu envolvimento no mercado de computadores.

Apesar dessa limitação, as universidades poderiam licenciar o Unix, recebendo inclusive o código fonte do sistema. Como a grande maioria das universidades utilizava computadores da linha PDP-11, não existiam dificuldades para se adotar o sistema como plataforma padrão no meio acadêmico.

Uma das primeiras instituições de ensino a licenciar o Unix foi a Universidade de Berkeley na Califórnia. A Universidade desenvolveu sua própria versão do sistema, batizada de 1BSD (First Berkeley Software Distribution), seguida por outras versões, chegando até a 4.4BSD, quando o projeto acadêmico foi encerrado.

O Unix de Berkeley introduziu inúmeros melhoramentos no sistema, merecendo destaque o mecanismo de memória virtual, C shell, Fast File System, sockets e o protocolo TCP/IP. Em função dessas facilidades, vários fabricantes passaram a utilizar o BSD como base para seus próprios sistemas, como a Sun Microsystems e a Digital. Para dar continuidade ao desenvolvimento do Unix de Berkeley, foi criada a Berkeley Software Design que, posteriormente, lançaria o sistema FreeBSD.

Em 1982, a AT&T foi autorizada a comercializar o sistema que tinha desenvolvido. A primeira versão lançada foi a System III, logo seguida pela System V. Diversas versões foram posteriormente desenvolvidas, sendo a versão System V Release 4 (SVR4) a que merece maior importância. Vários fabricantes basearam seus sistemas no Unix da AT&T, como a IBM, HP e SCO.

Em 1993, o Unix da AT&T é comercializado para a Novell, que, posteriormente, lança o UnixWare, com base nesse sistema. No mesmo ano, a Novell transfere os direitos sobre a marca Unix para o consórcio X/Open e, posteriormente, vende o UnixWare para a SCO.


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Luiz Paulo Maia
. Luiz Paulo Maia
lpmaia@ism.com.br
. Luiz Paulo Maia
* Mestre em Informática pela UFRJ/NCE, graduado em Informática pela PUC-Rio e pós-graduado em Marketing pela mesma instituição. Ex-professor do IBMEC e da PUC-Rio, atualmente é professor da FGV e diretor da Training. É co-autor do livro "Arquitetura de Sistemas Operacionais" (LTC, 2002) e co-autor do livro "Programação e Lógica com Turbo Pascal" (Campus, 1989).

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