16 de janeiro de 2001
Passadas as festividades de Natal, Ano Novo e Novo Milênio, estamos aqui de volta, pensando em como melhorar a questão da educação à distância. Para falar a verdade, passei a virada do milênio pensando também no problema da comunicação e da metodologia em EAD.
Ora, vocês vão pensar: “Que loucura!”, mas havia um motivo. Imaginem que decidi passar o reveillon em Machu Picchu, no Peru. Como muitos devem saber, esta é uma cidade que ficou perdida por quase um milênio, descoberta no início do século passado. Não tem tecnologia, não é habitada por ninguém, cercada por uma natureza deslumbrante, possui infra-estrutura para turistas e... isto me seduziu!
Ao chegar lá, lógico, queria comunicar-me com minha turma que ficou no Rio de Janeiro, e foi por aí que os pensamentos a respeito da Rede e de EAD surgiram com grande força. Passei a adorar os cybercafés da cidade logo abaixo de Machu Picchu. Consegui enviar alguns e-mails para dar notícias, desejar feliz milênio, etc e tal.... Mas, operacionalmente, para entregar os trabalhos nas datas corretas, com os arquivos anexados, e na formatação adequada, bem, isto foi um fracasso.
A qualquer hora e de qualquer lugar
Calculem uma cidade no meio de uma zona rural, com uma população de baixa renda, com níveis de escolaridade ainda inadequados. Imaginem como seriam os cursos de EAD, como poder-se-ia inovar com a introdução de novas tecnologias na escola, como seriam os cursos profissionalizantes. As universidades poderiam oferecer cursos técnicos? A graduação poderia ser completamente à distância? Os cursos de extensão teriam tutoria? E por aí as questões iam se aprofundando....
Qual não foi a minha surpresa, quando ao retornar ao Rio e abrir minha caixa de correio eletrônico encontrei uma notícia veiculada pela rede MEC de Brasília que dizia o seguinte:
“O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, disse (...) que as instituições de ensino superior devem criar cursos à distância, mas antes precisam investir no desenvolvimento dos conteúdos e tecnologias exigidos (grifo meu). Informou que não há entraves burocráticos do Ministério da Educação para autorização desses cursos e nem mesmo acúmulo de pedidos, que hoje não chegam a dez.
Atualmente, apenas cinco universidades brasileiras - quatro federais e uma estadual - oferecem cursos de graduação à distância. O ministro lembrou que no mundo inteiro ainda não há software, metodologias e processos de avaliação disponíveis para se ampliar rapidamente os cursos de Educação Superior à distância (novamente, grifo meu)”.
Vejam aí, queridos amigos, que as minhas preocupações eram certeiras e passei a pensar em custos.