24 de março de 2004
A EAD e o modelo de competências
Gilda Helena B. de Campos *
Recentemente, comecei a trabalhar com o modelo de competências para entender como melhorar os processos de desenvolvimento de software e a construção de conhecimentos em cursos a distância. Tenho estudado e acompanhado também o desenvolvimento da dissertação de mestrado de Gianna Oliveira Roque, do Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ), que discute o modelo de competências.
De lá para cá, muito já se aprendeu sobre competência e habilidades a serem trabalhadas em cursos a distância. A seguir, apresento algumas definições e princípios discutidos por Gianna Roque, que tomou como base artigos de diversos autores.
A noção de competência
Gianna diz que a palavra "competência" pode ser usada em diferentes ambientes, que sugerem diferentes conotações pelo fato de a noção de competência pertencer, ao mesmo tempo, à linguagem comum e à terminologia científica. Esse polimorfismo permite que a noção de competência seja confundida com a de saberes e conhecimentos no âmbito da educação ou de qualificação no âmbito do trabalho.
Em um artigo publicado em 2001 por Marise Nogueira Ramos, a idéia difundida quanto ao uso de competência pela escola é a noção de que ela promove o encontro entre trabalho e formação, enquanto do ponto de vista empresarial competência se confunde com qualificação.
Essa abordagem tem duas dimensões bem definidas: uma relativa ao trabalho e a outra à prática pedagógica. Na visão de trabalho, a competência é definida como características de fundo de um indivíduo que guardam uma relação causal com o desempenho efetivo ou superior no posto. Portanto, ela reflete a capacidade de se fazer algo e não o que realmente faz.
Na visão pedagógica, o professor e sociólogo Phillipe Perrenoud define competência como "a capacidade de articular um conjunto de esquemas, situando-se, portanto, além dos conhecimentos, permitindo mobilizar os conhecimentos na situação, no momento certo e com discernimento".
No Brasil, a noção de competência é introduzida na reforma educacional por volta dos anos 90, a partir da Lei nº 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), que incide tanto na educação básica, quanto na educação profissional.
Diferentes autores afirmam que a introdução dessa noção vem com o objetivo de subordinar a produção educacional às necessidades do mercado de trabalho. Neise Deluiz, por exemplo, afirma que "o modelo das competências invade o mundo da educação no quadro de questionamentos feito aos sistemas educacionais diante das exigências de competitividade e produtividade".
Por fim, Gianna Roque considera a competência como a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos (saberes, habilidades, conhecimentos etc.) para solucionar uma série de situações.