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Telecom em Debate |
por Fabio Beraldo |
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26.9.2006
Evolução e mudanças no cenário de telefonia móvel
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Ninguém duvida que um dos mercados que mais cresce no Brasil é o mercado de telefonia móvel. Não apenas no Brasil, mas no mundo todo, essa tecnologia que traz a facilidade e o conforto para as pessoas se comunicarem quando, como e onde quiserem vem se revigorando e se transformando a cada dia e se tornando essencial à vida da maioria das pessoas.
No Brasil são 95 milhões de aparelhos ativos que geram uma receita mensal de aproximadamente R$ 3,5 bilhões, num mercado em ampla expansão. Apenas no primeiro trimestre de 2006, a receita bruta do mercado cresceu 12% se comparada ao mesmo período de 2005. Essa receita, nada desprezível, é disputada por oito grupos: Vivo, Claro, Tim, Oi, Amazônia/Telemig Celular, BrT GSM, CTBC e Sercomtel. As três maiores - Vivo, Claro e TIM - possuem praticamente 80% do mercado e fazem uma guerra declarada na busca por novos clientes.
No entanto, essa grande quantidade de operadoras no mercado aumenta demais a competição e gera incertezas para os cenários futuros de médio e longo prazo. Não há dúvida que o setor terá uma consolidação onde restarão três ou, no máximo, quatro operadoras.
Na semana passada, a Telecom Itália - grupo italiano que controla a TIM no Brasil - informou ao mercado que está se reestruturando e, com essa reestruturação, surge a possibilidade de venda da TIM Brasil para um novo grupo ou para um dos grupos já existentes no mercado brasileiro, o que parece ser muito mais provável.
Esse fato mudaria completamente o cenário da telefonia móvel no país, pois a TIM tem 23,6 milhões de aparelhos em serviço, perdendo apenas para a Vivo - tanto na receita quanto no número de aparelhos em serviço. Mas há um detalhe importante que deve ser observado: a TIM tem o melhor ARPU (receita média por cliente) e melhor MOU (minutos de uso por cliente) entre todas as operadoras móveis no Brasil e isso é um grande diferencial. Significa que, mercadologicamente, a empresa sabe gerenciar sua base de clientes de forma mais eficiente que seus concorrentes e, por isso, possui a melhor base de clientes do setor: eles usam mais o telefone e pagam a conta mais alta no fim do mês.
Assim, existe uma tendência clara no mercado e que a cada dia se torna mais evidente, na qual a TIM se tornará líder em Market Share e em receita. Isso é apenas questão tempo. Dessa forma, o interesse em comprar uma empresa como essa é muito grande por parte dos concorrentes e com essa compra o setor passaria a ter uma nova cara.
Se a Vivo comprar a TIM, vai consolidar de vez sua posição como líder de mercado, assumindo 55% de Market Share. A Claro e a OI possuem a chance de assumir a liderança do mercado se fizerem essa aquisição. Mas também não se descarta que as empresas menores possam assumir a TIM, porque algumas delas - como Brasil Telecom GSM e Telemig - possuem fortes investidores dispostos a investir nesse mercado.
De qualquer forma, a venda da TIM seria benéfica para a saúde financeira do setor de telefonia móvel como um todo, visto que é evidente que se inicia um momento de consolidação das operadoras brasileiras, onde no futuro haverão menos empresas e mais clientes. Nesse cenário, certamente diminui um pouco a competição agressiva que se vê atualmente e o resultado das operadoras começa a melhorar de forma gradativa.
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Fabio Beraldo
Jornalista especializado em TI, tem mais de quinze anos de experiência no mercado de telecomunicações. Atualmente trabalha na área de Planejamento de Marketing da GVT(Global Village Telecom, em Curitiba). Além disso, foi professor universitário na área de Administração Mercadológica, em cursos de graduação e extensão na Faculdade Santa Cruz (Curitiba), Unicenp (Curitiba) e Ilapeo (Instituto Latino Americano de Odontologia).
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