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Telecom: um mercado em transformação Fábio Beraldo *
Há seis anos, quando teve início o processo de privatização do Sistema Telebrás, o mercado, assim como os analistas de telecom, estavam convictos de que a melhor saída para a área seria a privatização.
Falta de competição, o Estado atuando como órgão operador e regulador ao mesmo tempo, baixa capacidade de investimento e tarifas defasadas eram apenas alguns dos problemas para os quais a privatização seria a grande solução. Sem contar que, até 1994, 80% dos telefones do Sistema de Telefonia Fixa Comutada (STFC) em todo o País pertenciam à elite, classes A e B.
Em julho de 95, uma emenda constitucional abriu caminho para as privatizações, ocorridas em 1997 e 1998. Surge, então, a Anatel, órgão regulador das telecomunicações no Brasil, com a missão de estabelecer a competição dentro de certos limites. Isso levou o setor a sofrer a maior reviravolta de sua história. Em meio a tudo isso, houve a explosão da telefonia móvel, que, em menos de dez anos, conseguiu superar os telefones fixos em número de aparelhos.
As estatísticas do setor impressionam. Hoje, temos 42,5 milhões de terminais fixos, aproximadamente, contra 48 milhões de terminais móveis, sendo que a demanda que havia na telefonia fixa foi totalmente suprimida pelas operadoras de telefonia móvel. Mas quando pensamos no modelo atual do STFC e analisamos os objetivos do Governo na época da privatização, encontramos um item que até agora não foi alcançado: a competição.
No Brasil, existem três operadoras locais de telefonia fixa: Telefônica, Brasil Telecom e Telemar. Até agora, as empresas-espelho e as operadoras de longa distância não conseguiram causar grande modificação no cenário nacional, mesmo com a liberdade de atuar e concorrer com as operadoras locais. O motivo é que, por meio de um pacto, as operadoras locais não operam fora de suas áreas, ou seja, não estabelecem concorrência entre si. Assim, garantem suas receitas e impedem o aumento de market share dos concorrentes.
Um gigante está a caminho
Recentemente, a MCI [ex-WorldCom] anunciou a venda de sua participação na Embratel para a Telmex, do milionário Carlos Slim. Se os órgãos dos EUA e do Brasil aprovarem a operação - o que é bem provável - , pela primeira vez teremos a competição na telefonia fixa de nosso país. A Telmex é um grupo mexicano que está entrando com força no mercado e vai mudar o rumo da concorrência entre as operadoras de telefonia fixa brasileiras.
Slim, que também é dono da América Móvil (controladora da Claro), anunciou, no final de março, a aquisição de 9,1% das ações ordinárias da Global Crossing, demonstrando claramente que pretende aumentar e muito sua participação na América Latina. A Global Crossing mantém cabos submarinos na costa dos oceanos Pacífico e Atlântico, além de diversas operações terrestres de serviços baseados em IP, VPN, Frame Relay e ATM para o mercado corporativo em vários países, inclusive o Brasil.
Desse modo, não resta dúvidas de que a entrada da Telmex na disputa pelo mercado brasileiro de telecomunicações é questão de tempo. Isso vai modificar as atitudes e as ações de todas as operadoras, uma vez que a estratégia de ação passa a ter outras características. Por enquanto, o mercado aguarda as decisões, mas a briga vai começar assim que os órgãos brasileiros e norte-americanos tomarem uma decisão.
Telefonia móvel: GSM ou CDMA?
Na telefonia móvel, já faz algum tempo que o mercado está competitivo. As operadoras estão oferecendo pacotes de diversos tipos de forma contínua. Alguns, dependendo do plano escolhido, fornecem gratuitamente o aparelho ao usuário. O ano passado foi fundamental para esse mercado no Brasil, pois a tecnologia GSM conseguiu se estabelecer de vez e concorrer de maneira eficaz com o CDMA, até então imbatível.
Se, atualmente, temos 14 milhões de terminais CDMA em operação no Brasil, a tecnologia GSM – hoje com 8 milhões de terminais móveis - vem conquistando o mercado de modo impressionante. Uma exemplo disso ocorreu no ano passado, quando o GSM teve um crescimento de 20%, contra uma evolução de apenas 2% do CDMA.
O GSM vai se consolidando como a principal tecnologia de telefonia móvel utilizada no mundo. Este ano, comemorou a marca de 1 bilhão de terminais em uso em todo o planeta, somando 152 operadoras, com atuação em 47 países. Porém, existem sérias dificuldades de investimento para o GSM chegar a 3G.
Em princípio, continuamos com a tendência de crescimento da tecnologia 2,5G, sendo que apenas Coréia e Japão entraram, de fato, na terceira geração. Os outros países ainda esperam por dias melhores para realizar o gigantesco investimento necessário para migrar as tecnologias existentes hoje. A discussão sobre a evolução nesse mercado baseia-se na necessidade de se encontrar um conteúdo de navegação interessante para o consumidor.
De acordo com uma pesquisa do Gartner Group divulgada no mês passado, a Nokia continua líder absoluta de aparelhos vendidos, com um market share de 34,7% em todo o mundo, mais que o dobro da segunda colocada, a Motorola, com 14,5%. Só no Brasil, a Nokia teve um faturamento de US$ 1,55 bilhão. Desse montante, a filial brasileira exportou US$ 525 milhões, o que a coloca em posição de liderança entre os exportadores no segmento.
No mercado interno brasileiro, a competição tende a aumentar com a recente aquisição das operadoras da Bell South pela Telefônica, por US$ 5,8 bilhões. A briga entre Telefónica Móviles (Vivo) e América Móvil (Claro) acaba deixando um pouco de lado operadoras como Oi e Tim. Ambas terão de lutar muito para bater estes dois gigantes, que podem tomar conta da telefonia móvel brasileira dentro de alguns anos.
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