12 de agosto de 2004
Novos rumos
Henrique Faulhaber, um dos novos membros do Comitê Gestor da Internet, fala sobre os trabalhos a serem desenvolvidos pelo órgão
Por Alexandre Carvalho
Criado em maio de 1995, desde então o Comitê Gestor da Internet no Brasil tem trabalhado para tornar cada vez mais efetiva a participação da sociedade nas decisões que regem o uso e administração da Internet em nosso país.
Este ano, ao promover a eleição dos novos membros de sua equipe, pela primeira vez foram escolhidos 11 representantes da sociedade civil, indicados pelas entidades as quais representam e eleitos por meio de votação direta pela Internet.
Entre eles está o empresário Henrique Faulhaber, eleito como representante dos setores de bens de informática, de software e de telecomunicações. Em entrevista ao TI Master, Faulhaber falou sobre os resultados da eleição, além de expor sua opinião a respeito do trabalho do Comitê nos temas voltados para a segurança na Internet. Confira.
O que representou para o senhor ter sido escolhido como um dos membros do Comitê Gestor da Internet no Brasil?
Minha escolha foi vinculada a uma articulação de empresas e entidades brasileiras das áreas de software e serviço, como a Abes, a Assespro e os sindicatos de informática. Estou envolvido com a Internet desde 95. Embora o Comitê venha atuando desde essa época, até então, só participei dos comitês técnicos, mas nunca tinha considerado a possibilidade de me tornar um dos conselheiros.
E como o senhor avalia o resultado dessa eleição?
Pela primeira vez, foram escolhidos membros da sociedade civil para integrar o Comitê. Antes disso, somente os indicados pelas associações podiam fazer parte do grupo. No ano passado, por intermédio de um decreto presidencial [Decreto Nº 4.829, de 3 de setembro de 2003], a mecânica de escolha foi modificada. Agora, do total de 21 membros, dez são escolhidos pelo Governo. Os outros 11 são escolhidos por entidades dos mais diversos setores. No meu caso, fui eleito pelas entidades do setores de bens de informática, de telecomunicações e de software.
Quais serão as primeiras iniciativas que a nova equipe do CGI pretende tomar a partir de agora?
Em princípio, a nova equipe vai dar continuidade ao que já estava sendo feito antes. Por enquanto, não haverá nada de revolucionário.
Por que não?
Porque os temas que já estavam em discussão continuam sendo importantes e precisam ser bem tratados. Vale lembrar que a função primária do Comitê é o registro de domínios, o que pode ser quase considerado como um trabalho operacional, de manutenção. Isso vai continuar. A novidade são as questões relacionadas à segurança na Internet.
Qual será a atuação do CGI em relação a este assunto?
O Comitê não pode legislar, mas pode agir e trabalhar em prol de uma rede mais segura, contra fraudes eletrônicas, hackers etc. Mas volto a ressaltar: em geral, vamos trabalhar em um processo de continuidade ao trabalho que já estava sendo feito. Outro ponto importante é a autonomia do Comitê quanto ao uso de seus recursos, provenientes das taxas de manutenção dos domínios. Esses recursos estão acumulados em uma conta da Fapesp e não são utilizados em quase nada. Já temos uma ONG nos representando juridicamente para tentar mudar essa situação, de modo que possamos ter os meios necessários para usar os recursos do Comitê sem as amarras da Fapesp.
De quanto a verba disponível hoje?
Atualmente, temos R$ 100 milhões em caixa, que são usados somente para atividades de rotina, como pagamento de funcionários e organização de eventos. Com o novo trabalho, poderemos usar esse dinheiro no desenvolvimento de outros projetos.