11 de maio de 2007
Jogando nas onze em TI
Nem especialista, nem generalista: a tendência é que o mercado procure cada vez mais os “versatilistas”, profissionais com qualidades dos dois perfis
Por Aline Brandão
A velha discussão “especialistas X generalistas” parece estar com os dias contados. Pelo menos é o que insinua o estudo do Gartner Unlocking the Business Value of People: Building Versatility (“Desvendando o Valor de Negócio das Pessoas: Construindo Versatilidade”). De acordo com o o trabalho, a demanda pelos especialistas em TI deve diminuir em 40% até 2010; enquanto isso, já é possível notar uma procura cada vez maior pelo que o estudo chama de “perfil versatilista”.
Mas afinal, quem é e o que faz um versatilista? A palavra é nova, mas o conceito é um velho conhecido – especialmente para os brasileiros. Na definição do Gartner, o versatilista é alguém com conhecimentos profundos em um escopo de situações e experiências progressivamente maior.
“Em bom português, ele é ‘o cara que joga nas onze’ – define o gerente de recrutamento da CASE Consulting, Luís Felipe Castro. Luís dá um outro exemplo. Digamos que o especialista ponha todas as suas “fichas” numa única tecnologia, enquanto o generalista distribui suas “fichas” igualmente entre todas. O versatilista seria o meio-termo: ele escolhe três ou quatro áreas para se dedicar mais, sem fechar os olhos para o que está em volta.
Seguindo a maré do mercado
Em países como os Estados Unidos, a idéia causa mais estranheza do que aqui no Brasil. Isso acontece por conta das diferenças culturais: lá, a divisão entre especialistas e generalistas sempre foi bem definida. Além disso, os americanos não estão acostumados a realizar tarefas que estejam fora do job description – algo que os brasileiros, graças ao famoso “jeitinho”, conhecem bem.
“Nos EUA, as pessoas têm uma educação que os leva a ser especialistas ou generalistas; elas criam essa opção de escolha. Aqui não existem as mesmas opções, o profissional acaba optando pelo que o mercado exige no momento – afirma a Analista de RH da Triad Systems, Iara Lordelo.
Mas se nós já temos uma tendência cultural à versatilidade, outros fatores dificultam a formação de um versatilista. Segundo o diretor da Publiweb Marketing Digital, Conrado Adolpho, como ele precisa se aprofundar mais do que os generalistas, é preciso estudar mais – e nem sempre há tempo para isso. “É complicado porque o brasileiro tem que estudar e trabalhar, as faculdades são caras, os impostos são altos. Mas a pessoa tem que se esforçar, mesmo indo contra a corrente, para ser versátil. A responsabilidade é mais delas do que da sociedade ou do governo – justifica.
O Gerente de Marketing da Digitron, Sérgio Amaral, cita o exemplo da própria carreira para explicar o caminho de um versatilista. “No início da carreira, quando me formei em Engenharia da Computação, esse era meu único interesse. Comecei trabalhando na área técnica, mas acabei sendo direcionado para o marketing; fiz pós-graduação em Marketing por demanda da empresa. No passado você podia ter a formação específica e não abrir o leque. Hoje você tem que estar aberto para isso – diz.