16 de agosto de 2007
O certificado feito pra você
Como escolher a certificação ideal para a sua carreira? E o que vale mais, um certificado ou um diploma? Confira aqui
Por Aline Brandão
Grande parte dos profissionais de Tecnologia da Informação – talvez a maioria – começa como autodidata: futricando o computador de casa, lendo tutoriais e revistas, prestando serviços pequenos de suporte para amigos. Mas quando a coisa fica séria, é preciso apresentar uma comprovação dos seus conhecimentos. Para isso existem as certificações tecnológicas.
Em uma pesquisa do IDC realizada ano passado com as 100 maiores empresas do mundo, 70% dos entrevistados responderam que o profissional certificado é muito mais produtivo que o profissional sem a certificação. 80% afirmaram também que esse profissional consegue mais oportunidades no mercado e dentro da empresa.
"É algo relativamente recente, ganhando força de uns cinco anos para cá. Os grandes fornecedores tentam garantir que os profissionais sejam bem capacitados a usarem seus produtos; é uma garantia para eles e para a empresa contratante. Se eu utilizo um ambiente da Microsoft, vou buscar profissionais que tenham a 'grife' da Microsoft – justifica o Diretor de Projetos da Unisys e professor da FAAP, Armando Terribili Filho.
Por onde se começa?
A questão é bastante simples para quem já está inserido no mercado de TI. Mas numa área onde existem centenas de certificações diferentes, como um iniciante vai saber por onde começar? Segundo o coordenador da FEPAT e especialista em certificações de TI, Pedro Magalhães, uma das primeiras certificações importantes não se restringe ao mundo tecnológico: são os idiomas, em especial o inglês. Num mercado onde livros, revistas especializadas e todo o jargão está na língua do Tio Sam, comprovar o conhecimento e a capacidade de comunicação nesse idioma é um dos primeiros passos, ainda que muitos profissionais da área ainda o ignorem.
"O inglês serve de base para todas as áreas da TI. A partir daí, depende do seu caminho – diz.
Saiba o que você quer
Eis a outra questão essencial para decidir quais certificados serão os ideais para você: definir sua área de atuação. "Se eu quero trabalhar em desenvolvimento e tenho interesse por software livre, meu foco são as certificações Linux, talvez Java. Já se eu sou avesso a software livre, então preciso correr atrás de Microsoft, IBM, Oracle. A pessoa precisa saber o que quer – reforça Pedro.
Como os certificados técnicos são ligados a produtos, linguagens e tecnologias específicas, a regra, consideravelmente simples de seguir, é associar aquilo que você gosta com aquilo que o mercado precisa. "Você não tira a certificação em banco de dados do 'Zé da Esquina'; tira a da Oracle, a de SQL. Assim não há o risco de se dedicar e ver seu trabalho ir pelo ralo do dia para a noite porque a empresa faliu – brinca.
"Na maioria das empresas fora da TI, o sistema operacional utilizado é o da Microsoft. A certificação de suporte deles gera um estímulo maior, porque é o que o mercado mais usa – explica o Diretor de Processos da Asyst Sudamérica, Jorge Perlas.
Experiência e certificação
Jorge lembra também que, muitas vezes, a experiência conta mais que uma certificação, dependendo da área. Os profissionais de suporte, por exemplo, precisam demonstrar que além do conhecimento técnico possuem também a habilidade para lidar com os clientes, algo impossível de descobrir pelo currículo.
"Em áreas mais novas e específicas, em que não pode de forma alguma existir a 'tentativa e erro', é mais difícil contratar alguém que não tenha uma comprovação do que sabe fazer. É o caso da área de segurança, por exemplo. Mas com um profissional de suporte, ainda que eu leve em conta a certificação, vou fazer uma prova técnica para ver a atitude dele – explica.