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31 de maio de 2000

MBA on-line em xeque no Brasil

Ainda sem o reconhecimento do MEC, cursos de pós-graduação on-line no Brasil valem pela importância que têm para o mercado

Por Alessandra Duarte


Uma recomendação freqüente para quem vai se inscrever num MBA on-line no exterior é verificar primeiro se ele é credenciado ou não. Mas, se o seu interesse é fazer um curso através de instituições brasileiras, nem precisa perder o seu tempo pesquisando: nenhuma pós-graduação à distância é reconhecida oficialmente no Brasil.

Na falta de uma regulamentação específica, o diploma de qualquer instituição que ofereça cursos de pós via Internet não é credenciado pelo Ministério da Educação. Isso não quer dizer, porém, que o mercado não encontre sua fórmula para reconhecer a qualidade dos cursos que estão aí. Após conversar com especialistas do meio acadêmico e com o próprio MEC, o TI Master mostra para você a realidade e as tendências do ensino de pós-graduação via Rede.

Começamos pela Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, que oferece cursos MBA parcialmente on-line e é uma das instituições mais reconhecidas na área. De acordo com seu diretor de Cursos MBA, Aldemir Drummond, mesmo sem contar com diplomas respaldados legalmente, a aposta da Dom Cabral é no mercado.



" Entre ter um certificado qualquer reconhecido pelo MEC e um que não é mas tem renome no mercado, as pessoas vão escolher o último "


Aldemir Drummond, diretor de MBA da Fundação Dom Cabral


- Nosso certificado não vale para concursos públicos, por exemplo, mas quem está numa empresa geralmente não está interessado nisso. Entre ter um certificado qualquer reconhecido pelo MEC e ter um que não é credenciado mas que o mercado considera bom, acho que a pessoa vai preferir esse último.

Um exemplo citado por Drummond é um tipo de programa MBA realizado pela Dom Cabral para grupos de empresas. Trata-se de um consórcio para treinamento de funcionários, que conta com grandes clientes como IBM, Xerox, Shell, Gessy-Lever, Schindler-Atlas e Telefonica.

- No consórcio, funcionários de cinco a seis empresas se misturam numa mesma turma. E ele vem sendo um sucesso desde que foi criado, em 1997 – garante.

A mensagem que entendemos de Drummond é a seguinte: se empresas desse porte apostam em um MBA ignorado pelo MEC, por que o resto do mercado deveria se preocupar com carimbos e reconhecimento oficial? Isso pode ser mais que um simples argumento de defesa da Dom Cabral, até porque outros são da mesma opinião.

Para o procurador-chefe da Procuradoria Jurídica da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), José Tavares, não é tão importante assim a validade legal para diplomas de especializações e MBAs. A explicação casa com o raciocínio de Drummond: esses cursos existem justamente para atender ao mercado.



O reconhecimento legal da especialização on-line pode não importar para
o mercado



- Acredito que não haja interesse por uma avaliação nem das próprias instituições que oferecem tais cursos. São as empresas que delimitam o que querem desses programas de aprendizado; eles são mais reconhecidos por seu produto final.

Vale lembrar que a Capes é uma fundação vinculada ao MEC, funcionando como um braço direito na elaboração de diretrizes, avaliação e fiscalização do ensino de pós-graduação no país. O que Tavares disse pode não representar a posição final do órgão, mas abre caminho para uma outra forma de se encarar o assunto da regulamentação dos cursos on-line. Pode até ser que, no fim das contas, o mercado não esteja nem aí para isso.


Pág.:2>>Cursos mesclam aulas online e presenciais
Pág.:3>>Regulamentação pode não sair


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