7 de junho de 2000
In english, please
Fazer um bom currículo em inglês envolve muito mais do que uma mudança de idioma. Você precisa entrar no espírito do marketing americano para ser notado
Por Fabiana Monte
O desafio de entrar no mercado americano de TI começa por um bom currículo. Você pode estar pensando: "Se é assim, já comecei bem. Meu currículo já está pronto e atualizado". Mas o conceito que nós, brasileiros, temos do modelo do currículo ideal difere bastante daquilo que os americanos chamam de resumé.
Para começar a história, cuidado para não se confundir: na terra do Tio Sam, o curriculum vitae é acadêmico, voltado para contatos com universidades ou entidades de pesquisa. O currículo destinado ao mercado de trabalho é chamado de resumé e é, acima de tudo, um instrumento de marketing pessoal. Alguns sites americanos chegam a dizer que o candidato deve encarar seu currículo como um comercial pessoal de 30 segundos.
|
" Você precisa convencer o recrutador a querer ler o seu currículo "
Katharine Dippold, diretora de Desenvolvimento de Produtos do LatPro
|
- Você deve convencer o recrutador a querer ler o seu currículo, porque as empresas recebem centenas de currículos por dia – aconselha Katharine Dippold, diretora de Desenvolvimento de Produtos do LatPro, site destinado à colocação de profissionais latino-americanos nos Estados Unidos.
Ao redigir seu currículo em inglês, você deve responder à seguinte pergunta: "Como a empresa vai se beneficiar com a minha contratação?" Esse é o principal aspecto de um currículo tipicamente americano. A visão "marqueteira" do candidato é ressaltada por Otávio Fonseca, webmaster brasileiro que trabalha há 11 do outro lado do continente e, mais especificamente, há dois meses no LatPro.
- A cada descrição de experiência profissional, não basta apenas explicar as tarefas desenvolvidas. É fundamental falar de como a empresa se beneficiou do seu trabalho, apresentar resultados comprovados e, principalmente, mostrar como o futuro empregador pode ganhar com a sua contratação – orienta.
|
" É fundamental mostrar como o futuro empregador pode ganhar com a sua contratação"
Otávio Fonseca, webmaster do LatPro
|
Deixe de lado data de nascimento, estado civil, numeração de documentos e fotografias. Concentre-se em informações relevantes, enfatizando suas habilidades, realizações e qualificações. E seja sintético, porque a maioria dos currículos americanos tem apenas uma página.
- A quantidade de informações pessoais é muito mais limitada do que nos currículos latino-americanos, que chegam a ter 15 páginas. Normalmente, currículos em inglês não são acompanhados de fotos, a menos que o candidato esteja procurando uma vaga como ator ou modelo – diz Katharine Dippold.
Currículo personalizado
Para agradar aos empregadores americanos, é melhor esquecer aquele esquema de enviar um mesmo currículo para Deus e o mundo. Se você não gosta de receber uma pilha de malas-diretas, imagine um gerente de RH sobrecarregado de trabalho. Capriche na personalização usando expressões comuns do mercado no qual você quer entrar, concentrando o apelo de seu currículo naquilo que a sua empresa-alvo procura ou necessita.