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1 de dezembro de 2000

Mandic-se

O homem que inaugurou a Internet comercial no Brasil agora é um dos maiores defensores do acesso gratuito. Conheça a carreira de Aleksandar Mandic e descubra um pouco mais sobre a história da Web no País

Por Fabiana Monte


Foto de divulgação É impossível pensar na história da Internet brasileira sem lembrar do nome Mandic. Vaidoso e aparentemente de poucas palavras, Aleksandar Mandic é hoje o vice-presidente de Novos Negócios do iG, mas sua trajetória profissional traça um paralelo com o início da Internet no Brasil.

A carreira de Mandic é marcada por uma palavra: pioneirismo. Ele fundou um dos primeiros Bulletin Board Systems (BBS) do País, o Mandic BBS, em 1993. Dois anos depois, com a chegada da Internet comercial ao Brasil, saiu na frente mais uma vez e transformou seu BBS em um provedor comercial. Nascia o Mandic.com, que chegou a ter 95 mil usuários em 1997, um número gigantesco para a época. A palavra de ordem era “Mandic-se”, uma expressão criada para indicar a conexão à Internet.

Depois de vender seu negócio em 1998, Mandic confirmou, mais uma vez, sua tendência para ser precursor e começou a trabalhar no iG, o primeiro grande provedor gratuito brasileiro. Ele se define como o “Primeiro Ministro” do portal.

E o homem que criou a Internet comercial no Brasil, é hoje um dos maiores defensores do acesso gratuito. Ironia do destino? Mudança de filosofia? Mandic diz que não.

- Quando a Internet comercial foi lançada, já se sabia que o grande negócio seria o conteúdo e não o acesso. Se fosse o acesso, pensaria mais antes de vender o meu negócio – ataca.

Você nasceu na cidade de São Paulo, mas qual a origem da sua família?

Minha família é iugoslava. Aliás, o primeiro idioma que aprendi foi o iugoslavo, mas eu nasci no Brasil.

Qual a sua formação?

Sou Técnico em Eletrônica. Estudei no Liceu Eduardo Prado, em São Paulo.

Antes da Internet, você trabalhava em que área?

Eu trabalhava na Siemens. Era Gerente de um departamento técnico na área de eletrônica da empresa. Trabalhei lá por 17 anos.

E como Informática e Internet entraram na sua vida?

Por acaso. Em 89 eu conheci um cara que fazia a transmissão de dados de um computador para o outro via modem. Achei que seria bom implantar isso na Siemens. Então, falei com a direção e eles disseram que tudo bem, que não tinham mesa, telefone, computador e nem dinheiro, mas que eu podia montar (risos). Então, eu fiz o Mandic BBS. Na época não havia ainda BBS. O Mandic foi o primeiro e depois foi o primeiro provedor comercial.

Você tem uma trajetória marcada pelo pioneirismo...

Isso. E mais tarde fui trabalhar no iG, o primeiro grande provedor gratuito do Brasil.

Quando você fundou o Mandic, já tinha uma visão comercial ou foi apenas um hobbie?


" Quando criei o Mandic não sabia que ia ficar do tamanho que ficou"



Não tinha uma visão comercial. Não sabia que ia ficar do tamanho que ficou. Via como uma oportunidade.

Como foi a transição do Mandic BBS para o Mandic provedor comercial?

Foi normal. A Internet comercial começou no Brasil em 95. Até então, só existia em universidades, de forma acadêmica. Quando ela começou em 95, eu já tinha a estrutura para oferecer o acesso. O Mandic começou em agosto de 95 com 10 mil usuários. Em dezembro, já eram 40 mil. São números grandiosos para a época. Comecei a sentir a necessidade de um sócio com capital e foi aí que o GP Investimentos entrou no negócio.


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