28 de dezembro de 2000
Inglês não basta
Ter fluência apenas no idioma oficial da ´terra do Tio Sam` já não é mais a garantia de uma vaga no mercado de trabalho. É preciso falar outras línguas para alcançar o sucesso
Por Rafael Pinna
Sempre atento às novidades do mercado de Tecnologia da Informação, o TI Master dá mais uma dica para quem quer se manter sempre atualizado. Se você pensou em um software revolucionário e que vai ter que correr contra o tempo para aprender uma nova linguagem de programação, está muito enganado. O negócio agora é investir em algo aparentemente muito distante dos computadores: o idioma.
" Há muito tempo o inglês deixou de ser um diferencial no mercado de TI "
Miguel Barros, Diretor de Marketing do Grupo Foco
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Se você acha que aquele cursinho de inglês freqüentado durante vários anos é a garantia de uma ampla vantagem no mercado de trabalho, nem pense em tirar os olhos dessa matéria. É cada vez mais comum que as empresas exijam fluência em um outro idioma, além do inglês, na hora de contratar profissionais de TI.
- O inglês é básico. Há muito tempo ele deixou de ser um diferencial para ser uma exigência. Na maioria dos processos de seleção, quem não fala fluentemente nem é chamado para fazer a entrevista. Quem não domina o inglês simplesmente não tem vaga no mercado de TI – atesta o diretor de Marketing da consultoria Grupo Foco, Miguel Barros.
A força hispano-americana
A necessidade de dominar outros idiomas se consolidou nos últimos anos, com a implantação do Mercosul. O aumento do intercâmbio comercial entre empresas brasileiras e países latino-americanos permitiu que o espanhol garantisse seu lugar como segundo idioma mais importante, logo após o inglês.
- A entrada de uma grande quantidade de empresas espanholas no mercado brasileiro também valorizou muito os profissionais com conhecimentos de Espanhol – afirma o diretor de Relações Públicas e Marketing Corporativo da Lucent Brasil, Virgílio Martins.
Embora o espanhol seja a língua mais solicitada, ele não foi o único que ganhou importância. As privatizações e a entrada de grupos europeus no mercado brasileiro colocaram outros idiomas em evidência.
" Depois do inglês, o espanhol ainda é o idioma mais valorizado "
Maurício Rossi, Gerente de Recrutamento e Seleção da Unisys Brasil
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- Depois do inglês, o espanhol ainda é o idioma mais valorizado. No entanto, a entrada de empresas alemãs e francesas no mercado brasileiro, por exemplo, tornou essas línguas bastante desejáveis. Mas são casos mais específicos – diz o gerente de Recrutamento e Seleção da Unisys Brasil, Maurício Rossi.
Mas nem todas as empresas dão tanta importância a essa questão. Na opinião da gerente de Marketing da Apple, Gabriela Eremkin, o domínio da língua inglesa ainda é suficiente para o sucesso de profissionais de TI.
- Se todos falarem inglês, a comunicação já é possível, tanto dentro da empresa quanto em negociações externas. Até as empresas espanholas preferem negociar em inglês – justifica.
Já a diretora executiva da consultoria de recursos humanos Catho, Silvana Case, afirma que a importância de dominar um terceiro idioma depende do cargo que o profissional ocupa dentro da empresa.
- Para cargos de gerência, diretoria ou que possuam contato direto com clientes ou outras empresas, é fundamental ter fluência em outros idiomas. São cargos que exigem uma comunicação clara e precisa. Para funcionários mais técnicos, o conhecimento de outras línguas é muito importante para possibilitar a comunicação interna. É um grande diferencial – diz.