11 de outubro de 2001
Quantidade = qualidade?
O que vale mais: ter uma coleção de cursos rápidos no diploma ou investir tempo e dinheiro em formações mais longas? Veja o que dizem especialistas em RH
Por Catalina Arica
Ter o maior número possível de cursos no currículo. Esta é a melhor maneira de obter destaque durante um processo de seleção, certo? Nem sempre. Pelo menos foi isso que o TI Master descobriu ao entrevistar consultores de RH sobre o que vale mais: ter vários cursos de pequeno porte ou apenas uma ou duas certificações de peso.
Antes de dedicar tempo e dinheiro para fazer um curso, seja ele muito reconhecido ou não, é preciso avaliar de que forma ele vai auxiliar no desenvolvimento da sua carreira. Não adianta fazer um monte de cursos se eles não trouxerem algo para sua vida profissional, mesmo que seja apenas atualização. É preciso se dedicar ao que efetivamente vai trazer resultados para seu currículo e também para a empresa.
Além de bits e bytes
A dica da vice-presidente da Asap Executive Recruiters, Aline Zimmerman, é que o profissional procure fazer cursos que complementem o currículo. Por exemplo: se você tem uma formação extremamente técnica, é bom fazer um curso de gestão de negócios ou recursos humanos, principalmente se você já está no mercado há algum tempo. Segundo Aline Zimmerman, cada vez mais é importante o profissional saber lidar com pessoas e entender do negócio da empresa.
- Para alguém que já tem uma certa experiência profissional não adianta investir só no técnico. É preciso também pensar no lado administrativo – orienta a vice-presidente da Asap.
A consultora da KPMG Consulting, Daniela Schiano, concorda com Aline Zimmerman e acrescenta que o profissional só deve fazer cursos de gestão quando já tiver alcançado uma formação sólida e uma certa experiência. Quem está começando deve se dedicar mesmo a aperfeiçoar os conhecimentos técnicos.
O peso da idade
O head-hunter da Kadan Consultores, Carlos Victor Strougo, também pensa que a quantidade e o tipo de cursos no currículo devem ser compatíveis com a idade e o tempo de carreira do profissional.
- Tudo depende do nível profissional em que a pessoa esteja. Quanto maior a idade, mais importante torna-se a experiência. Neste caso não adianta nada ficar detalhando inúmeros cursos no currículo. É bem mais vantajoso para o candidato colocar as atividades que desempenhou nas empresas onde trabalhou – ressalta Strougo.
Para a consultora da DMRH, Ingrid Francischetti, ter vários cursos em áreas diferentes é útil apenas para quem acabou de sair da faculdade. Demonstra que a pessoa está tentando descobrir a área de atuação com a qual ela se identifica mais. Mas Ingrid Francischetti frisa que, se o profissional já tem uma certa experiência, o melhor é concentrar esforços para mostrar, no currículo, tudo o que já viveu no mercado.
- Hoje em dia, o que os clientes querem, na verdade, é que o candidato saiba como lidar com situações reais, diárias. E ter um monte de cursos no currículo não comprova isso – argumenta a consultora da DMRH.
Ingrid Francischetti lembra também que, em uma área tão dinâmica como a de TI, é preciso pensar muito bem antes de investir em um curso longo focado apenas em uma tecnologia, pois antes mesmo do fim do curso, a tecnologia poderá estar obsoleta.