22 de janeiro de 2002
Seleção alternativa
A diretora de Operações da Laerte Cordeiro Consultores em RH, Adriana Neglia, conta que análises grafológicas são bem vistas tanto por psicólogos quanto por empresas contratantes. Isso porque, segundo ela, esses testes revelam características que são imperceptíveis em uma triagem de currículos e que também podem escapar em uma entrevista pessoal.
- Claro que os consultores confiam muito mais nas impressões que tiram das entrevistas pessoais, mas quando se trata de apresentar um resultado ao cliente, é muito mais verossímil mostrar algo concreto – diz Adriana Neglia.
Conjunto
E a diretora de Operações da Laerte Cordeiro Consultores em RH alerta que o resultado de um teste grafológico deve ser analisado em conjunto com os resultados de outras etapas do processo de seleção. O importante é encontrar o candidato com o perfil adequado para a vaga em aberto.
- Não se pode dizer que quem escreve com letra arredondada tem maior facilidade de contato com as pessoas. Não se pode analisar isoladamente um item e fazer uma afirmação forte como essa. Os resultados têm que ser analisados de forma conjunta com aspectos observados em outras etapas do processo de seleção – ressalta Adriana Neglia.
Para a consultora da Manager, Fabiana Atanes, o mais importante é avaliar as figuras desenhadas pelo candidato em conjunto, pois apenas dessa forma é possível verificar se o perfil dele é adequado à vaga para a qual está concorrendo.
- É preciso que nós reconheçamos se o candidato se encaixa na vaga, não adianta ter uma pessoa muito comunicativa em uma área de programação, por exemplo, e nem alguém muito calado na área de vendas – pondera a consultora.
O poder da palavra
No caso das análises grafológicas, vários aspectos da caligrafia do candidato são analisados, como a pressão da caneta sobre o papel, a forma da letra e as margens totais da página. Segundo consultores de RH, se a letra do candidato é inclinada para a direita, ele é seguro, comunicativo e tem objetivos definidos. Quem avança as margens tem dificuldades para lidar com regras e quem tem a caligrafia inclinada para a esquerda é introspectivo.
Mas e quem consegue disfarçar a letra? Para os consultores de RH entrevistados para esta matéria, é impossível que alguém consiga alterar sua verdadeira caligrafia nas trinta linhas de uma redação.
- As pessoas conseguem disfarçar por cinco ou dez linhas, mas ninguém consegue ludibriar um especialista por 30 linhas. Além disso, há traços de personalidade, e conseqüentemente escrita, que são indisfarçáveis – garante a gerente da Foco RH, Sílvia Deodato.
Ela cita ainda outros fatores que influenciam as análises grafológicas: uso do espaço na folha sulfite, harmonia da letra e espaço entre as palavras e entre as letras. Além disso, segundo Adriana Neglia, da Laerte Cordeiro Consultores em RH, a assinatura do candidato é muito importante para uma análise grafológica.
- A assinatura resume a pessoa. Se a assinatura tem uma grafia muito diferente do resto da redação, isto pode ser um indício de que a pessoa não se mostra exatamente como ela é. Se for muito grande, mostra que o candidato precisa aparecer – explica diretora de Operações da Laerte Cordeiro Consultores em RH.