17 de abril de 2003
Eu, consultor?
Trabalhar em consultorias tem sido a melhor opção de carreira para muitos profissionais de TI. Saiba quais são as vantagens e desvantagens de se trabalhar desta forma e veja se realmente essa é a sua praia
Por Alexandre Carvalho
Tecnologias e clientes diversos, empresas com políticas internas distintas, visão de negócios, projetos, prazos, disciplina. Tudo isso faz parte do dia-a-dia de uma imensa quantidade de profissionais que atuam como consultores de TI. Para muitos, esta é a melhor forma de atuação que existe hoje no mercado. Mas quais são as vantagens que os levam a seguir esse caminho? E as desvantagens?
A maioria, quando se pronuncia sobre este assunto, fala abertamente da possibilidade de rendimentos cada vez maiores, além da oportunidade de estabelecer novos contatos e aumentar ainda mais sua empregabilidade.
Sempre alerta
Embora muitos deles sejam contratados por alguma empresa de consultoria, boa parte atua como pessoa jurídica, o que, de certo modo, representa uma liberdade maior para o profissional. No entanto, essa “liberdade” requer atenção redobrada.
- É uma opção muito boa, desde que o profissional seja organizado, porque, como consultor, na maioria das vezes você não possui vínculo empregatício e precisa garantir suas férias, seu 13º e todas aquelas coisas a que teria direito se estivesse atuando como CLT. Há poucas consultorias que contratam o profissional nesse esquema – revela o analista de sistemas do CSU CardSystem, Elder Carlos de Moraes.
Outros encontram na possibilidade de lidar com um número cada vez maior de clientes a grande vantagem deste modelo. Como consultor, o profissional mantém contato com pessoas de diferentes áreas de atuação, além de ter a oportunidade de ampliar sua visão de negócios. Mas vale ressaltar que há casos de consultorias que trabalham com clientes em regime de exclusividade.
- Essa rotatividade é um dos pontos positivos, pois valoriza o nosso trabalho e nos dá uma vivência cada vez maior no mercado. Além disso, você tem a chance de ganhar um determinado valor ao elaborar o projeto em uma empresa e ganhar ainda mais quando for atuar em outra – explica o consultor de sistemas da SI Brasil, Rodrigo Santiago Nunes.
Talento ou experiência?
Além da vantagem financeira, há também um ganho no aspecto pessoal, já que a passagem por diversas empresas viabiliza a prática do networking e permite que o consultor estabeleça contatos que, no futuro, poderão ser úteis para a sua carreira. E isso vale para profissionais de qualquer nível, veteranos ou não.
Segundo Elder Carlos de Moraes, trabalhar em consultorias pode ser uma experiência válida não só para o profissional experiente como também para quem está começando. Moraes entrou nesse mercado aos 19 anos e não se arrepende. Mas ele ressalta que é preciso ter perfil de consultor para ter sucesso na área.
- Falo por experiência própria. Vale muito a pena para quem está começando, mas é preciso levar em consideração que isso depende do talento do profissional e do diferencial que ele irá apresentar aos clientes – afirma o analista, que trabalhou para uma consultoria durante três anos e, graças ao resultado de seu trabalho, acabou contratado por um de seus clientes.
Já a gerente de Segurança da Informação da Newtrend Tendências Tecnológicas, Larissa Prado, vê essa questão de outra forma e destaca a importância da experiência nesse tipo de trabalho.
- Antigamente, a noção que se tinha quando se falava em consultoria era a de que o profissional devia ser alguém com anos de experiência no mercado. Quem estivesse começando, iria acompanhar o mais experiente e aprender com os macetes. Hoje, temos muita gente nova e acho que a pessoa sem experiência corre o risco de se queimar mais facilmente – opina.