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12 de maio de 2003

Sexo frágil? Que nada!

As mulheres ocupam cada vez mais o mercado de TI, mas reconhecem que ainda existem dificuldades e muitos desafios a serem superados. O que fazer para enfrentá-los?

Por Pamela Lang


Que o número de saias nos escritórios e nas grandes empresas de TI aumentou é fato. Inclusive, a matéria TI de Batom, publicada em 2001 pelo TI Master, trata exatamente dessa questão: a conquista feminina nos altos cargos da área de tecnologia.

E o que mudou de lá para cá? Será que a participação da mulher no mercado de TI já pode ser equiparada à do homem? Para saber a resposta, buscamos a opinião de quatro mulheres bem posicionadas na área de tecnologia sobre o andamento desse processo de inserção no mercado.

Calças x Saias

Não há consenso nesse ponto. A impressão que se tem é que a relevância ou não da participação feminina no mercado de TI é fruto de mera percepção pessoal, já que metade das entrevistadas vê um aumento considerável nesse aspecto e a outra não.

Tanto a gerente de marketing da Microsoft, Paula Bellizia, como a gerente de operações para a América Latina da Geac Computers, Brunella de Moraes, acreditam que a participação feminina tenha crescido, sim.

Segundo Bellizia, a mulher está servindo, inclusive, como ponte entre os bits & bytes e o próprio mercado. Ela diz também que tem visto um número maior de mulheres certificadas em TI, o que, para muitas pessoas, ainda é considerado um motivo de muito orgulho, como se isto fosse algo incomum.

- Vejo cada vez mais mulheres no mercado de TI. Elas foram conquistando o seu espaço e hoje já são vistas da mesma forma que os homens; é tudo de igual pra igual – acrescenta Brunella de Moraes.

Já a diretora de TI da Motorola, Maria Goreti, e a gerente de segurança da informação da Newtrend Tendências Tecnológicas, Larissa Prado, vêem o número de mulheres atuando na área de TI como "ainda pouco expressivo" e bem pequeno, se comparado à quantidade de homens no mercado. Na opinião de Goreti, esse número talvez corresponda a 10% da força de trabalho total em TI.

Politicamente correto

Todos gostam de ser politicamente corretos, especialmente quando se trata de um assunto polêmico e delicado como esse. Mas ainda há preconceito no mercado em relação às mulheres?

Com exceção de Brunella de Moraes, todas as entrevistadas acham que o preconceito ainda existe. Paula Bellizia, por exemplo, acredita que haja uma preferência do mercado pelo sexo masculino, principalmente na área técnica.

- Quase não se vê uma mulher entre os consultores. Talvez a mulher ainda não passe tanta confiança ao mercado, mas penso que isso tende a se modificar com o tempo – opina.

Maria Goreti diz nunca ter sofrido qualquer tipo de preconceito, mas garante que, para a mulher conseguir mostrar o seu trabalho e ter os mesmos méritos que os homens, deve fazer o dobro de esforço.

Já Larissa Prado não teve tanta sorte assim e teve que enfrentar alguns "probleminhas" com clientes que, segundo ela, ainda não sabem reconhecer o profissionalismo de uma mulher.

- Já ouvi cliente dizer para mim que não eu servia para o trabalho pelo fato de ser mulher. Fora as cantadas, que eram muitas. Um outro cliente, por exemplo, disse que só fecharia negócio comigo sob uma condição: que eu saísse com ele – lembra.


Pág.: 2>> Dura jornada


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