17 de julho de 2003
O lado humano da TI
Pesquisador do NCE/UFRJ fala sobre sua vida e da importância da tecnologia na vida das pessoas. Saiba como ele faz de seu trabalho uma inesgotável fonte de realização profissional
Por Pamela Lang
José Antônio dos Santos Borges tem um currículo de causar inveja. Além disso, destaca-se por ser um profissional que valoriza o lado humano da tecnologia e não mede palavras, carregadas de sentimento, para falar de sua paixão pelo trabalho que desenvolve junto aos deficientes desde 1994.
É dessa maneira que Borges atua como pesquisador do Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ), onde desenvolveu e coordenou os projetos Motrix (voltado para portadores de deficiências motoras graves) e Dosvox (Sistema Operacional voltado para deficientes visuais). Confira tudo isso e muito mais na entrevista que ele concedeu com exclusividade ao TI Master.
Como você começou sua vida profissional e qual foi a trajetória que ela seguiu?
Sou graduado em Informática pela UFRJ e, paralelamente, também me graduei em piano. Desde então, estagiei e trabalhei no NCE em diversas áreas como programação, software básico, CAD, micro-eletrônica, computação gráfica, circuitos integrados, computação comercial, multimídia e, finalmente, com softwares para incapacitados.
Depois disso, fiz pós-graduação em micro-eletrônica, na Coppe, e agora estou fazendo doutorado em Sociotécnica, que é o uso do computador com a finalidade de modificar a vida das pessoas. Minha vida profissional sempre foi muito variada e rica academicamente. Justamente por isso, acho que pude chefiar projetos como o Dosvox e o Motrix.
Você sempre se interessou por tecnologia?
Sempre tive jeito para essa área de montagem de equipamentos e programação, mas antes, confesso que achava uma coisa muito chata. Quando eu era criança, minha mãe me levou a um centro de processamento de dados e eu achei aquilo tudo um saco. Só quando comecei a estagiar no NCE, como operador de máquinas, é que passei a achar interessante.
O que foi determinante para o seu sucesso profissional?
Não sou um gênio, mas sou batalhador. Tenho muita força de vontade, gosto muito de ler e pesquisar. Enfim, não sou de desistir. Essa é a minha grande chave; em relação à computação, dificilmente desisto no meio caminho.
Algo que também me ajudou muito ao longo da minha carreira foi o fato de que não sou fanático pelo "ótimo", que é uma meta que nunca vai ser alcançada, e sim pelo "bom". Faço coisas que funcionem, que tenham uma aplicação prática, e vou aprimorando isso com o tempo.
Quais foram as principais influências que você teve ao longo de sua vida?
Há várias pessoas que, de alguma maneira, influenciaram minha vida. Não gostaria de citar nomes, porque posso esquecer alguém, mas meus professores na área de programação estruturada, as pessoas que trabalharam comigo em estrutura de projeto, todas aquelas que me ensinaram a arte da informática. O importante é que aprendi que a computação tem sempre o lado humano; ela tem que estar sempre sendo colocada a serviço do ser humano.