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4 de novembro de 2003

TV Digital: Agora vai?

O governo brasileiro tem trabalhado de forma contínua para a implementação da TV Digital no País. Saiba como isso está sendo feito e que resultados trará para o Brasil

Por Marcela Canavarro


Já faz algum tempo que as discussões sobre a implementação da TV Digital no Brasil deixaram de ser novidade na imprensa brasileira, sendo, inclusive, tema de reportagens do TI Master.

Com a chegada do novo governo, o tema ressurgiu com força total, com o anúncio - feito em janeiro deste ano pelo ministro das Comunicações, Miro Teixeira - de que a criação de um padrão nacional para a TV Digital começaria a ser estudada.

De lá para cá, muita coisa já foi feita. E por esse motivo, o TI Master procurou saber quais são as novas perspectivas para a TV Digital em nosso país e de que maneira o Governo pretende trabalhar nesse tema. Para isso, entrevistamos o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Pedro Jaime Ziller de Araújo. Confira a seguir.

De que forma está sendo feito o trabalho para o desenvolvimento do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD)?

No dia 23 de setembro, o presidente Lula assinou um decreto que criou o grupo interministerial (que reúne os Ministérios das Comunicações, da Cultura, da Fazenda, do Planejamento, do Desenvolvimento, da Educação, das Relações Exteriores e da Casa Civil, além da Secretaria de Comunicação) e determinou como será o projeto de pesquisa. Isso está baseado num projeto mais antigo de TV Digital, que este ano culminou em um workshop realizado em Campinas, em agosto, e que reuniu mais de 130 pesquisadores.

Nesse evento, foi feita uma divisão temática do assunto, baseada em cinco temas (Transmissão/Modulação, Transporte/Multiplexação, Compressão, Middleware e Conteúdos e Aplicações). Os institutos de pesquisa mandaram suas sugestões e delas sairá o decreto que vai estabelecer o projeto, cuja coordenação é da Casa Civil. O trabalho em si já está feito, mas os outros ministros têm que opinar sobre este assunto.

Que características do mercado brasileiro levaram o Governo a optar por um padrão nacional?

O Governo ainda não optou por um sistema nacional. O que ele está fazendo é uma pesquisa para saber qual sistema melhor se adapta ao Brasil. Nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, o predomínio é da TV a cabo e aqui a maioria é TV aberta.

Isso nos leva a uma condição bastante estranha: no Brasil, há mais televisores do que geladeiras. Segundo dados da PENAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios, do IBGE) de 2002, são 54 milhões de aparelhos de TV, dos quais 45 milhões só têm acesso à TV aberta, ou seja, pouco mais que 80%. O interessante é que mesmo quem tem TV a cabo assiste mais a TV aberta.

De que maneira isso influencia na TV Digital?

Desses 45 milhões, metade é de televisores de 14 polegadas, com antena interna, o que é uma característica completamente diferente do restante do mundo. Na TV analógica, se a imagem fica ruim, ela pega de qualquer jeito. Mas o fato de haver uma antena interna remete à necessidade de robustez. E o sinal não pode ficar caindo desse jeito.

Outro aspecto fundamental é que o Brasil não tem interesse em implementar uma TV Digital só para termos um som melhor ou uma imagem mais bonita. O objetivo é não aumentar o fosso social já existente e o canal de retorno da TV Digital possibilita o acesso da população por intermédio de um conversor.

O poder aquisitivo do brasileiro é pequeno e ele não poderia comprar um aparelho digital imediatamente, mas o conversor sim. Isso possibilitaria a inclusão digital, pois daria para ele plugar um teclado e acessar a Internet, usando a TV como monitor.


Pág.:2>>Trabalho em equipe
Pág.:3>>Investimentos


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