3 de setembro de 2004
TI socialmente responsável
Empresas de TI investem cada vez mais em projetos sociais e trabalhos voluntários. Inclusão digital e capacitação profissional são alguns dos destaques entre as ações
Por Luana Cloper
Não é de hoje que o desenvolvimento social deixou de depender apenas das ações implementadas pelo governo brasileiro. A iniciativa privada também tem sua parcela de contribuição nessa área. Que o digam as grandes empresas de TI, que cada vez mais têm incluído projetos sociais de todo tipo em suas metas estratégicas.
Segundo uma pesquisa do Instituto ADVB de Responsabilidade Social (IRES), entre 2002 e 2003 houve um aumento de 61% nos investimentos em projetos sociais, somando um total de R$ 389 mil, aproximadamente. A pesquisa contou com a participação de 2.500 empresas, públicas e privadas, e mostra que 89% delas desenvolvem ações sociais voltadas para a comunidade e 64% incentivam a participação de seus funcionários como voluntários.
Este é o caso da Chiptek, empresa de gerenciamento de infra-estrutura corporativa que já tinha um envolvimento com ações desse tipo, mas que só agora deu início a um projeto próprio, batizado como Educação Voluntária.
Criado em 2003, o projeto foi implantado em duas escolas públicas no início deste ano. Por meio deste trabalho, 20 alunos da Escola Estadual Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, e outros 20 da Escola Municipal Profª Lygia Azevedo Souza e Sá, em São Paulo, recebem gratuitamente treinamentos de nível técnico e comportamental.
Na formação técnica, são oferecidos diversos cursos de informática, tais como Windows, Excel, PowerPoint, Word, hardware e redes. Já a formação comportamental abrange lições de motivação, nas quais os alunos aprendem a lidar com conflitos e como se portar em uma entrevista de emprego, por exemplo.
A serviço da educação
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Divulgação
Alunos da rede pública de ensino participam do projeto "Educação Voluntária".
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Segundo a diretora de Recursos Humanos, Alda Gotlib, a escolha das escolas beneficiadas foi bem simples, com uma busca na Internet. Em seguida, gerou-se uma lista com as instituições mais próximas das unidades da Chiptek e que tivessem alunos matriculados no terceiro ano do ensino médio. Já a seleção dos alunos participantes do projeto foi feita por meio de sorteio.
O "Educação Voluntária" tem duração de oito meses, com aulas realizadas todos os sábados, das 8 às 13 horas. Divididos em duas turmas, com dez alunos cada, os jovens recebem apostilas de apoio desenvolvidas pelos próprios funcionários da Chiptek, com o conteúdo de cada curso. A empresa pretende ampliar o projeto para outras escolas da rede pública de ensino, mas só a partir de 2005.
Vale ressaltar que a Chiptek não fez nenhum tipo de parceria com outras instituições para tirar o projeto do papel, bastando, para isso, adaptar seus treinamentos internos e usar sua própria infra-estrutura para equipar as salas de aula com telefone, computadores, jogos interativos, rede etc. Quanto aos investimentos, Alda Gotlib é direta ao falar sobre o assunto:
- Tudo é voluntário. Para a Chiptek, o custo desse investimento é irrelevante – diz a diretora.
Durante as aulas, os voluntários utilizam um datashow para a exibição de slides, apresentam filmes e promovem dinâmicas de grupo como metodologia de ensino, proporcionando total integração entre os alunos participantes.
Persuasão
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Divulgação
Alda Gotlib: "O custo do investimento é irrelevante."
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Mesmo com todo esse potencial, convencer a diretoria de ambas as escolas sobre a seriedade do projeto não foi uma tarefa das mais fáceis.
- Tive um pouco de dificuldade em me fazer entender. Vários diretores não aceitavam a idéia com receio de que eu fosse vender alguma coisa. Eles não acreditavam que eu só queria um espaço para oferecer uma oportunidade aos estudantes – lembra Alda.
Em compensação, incentivar os próprios funcionários da Chiptek a participar do projeto foi bem mais fácil. Como o número de voluntários é bem maior do que o número de aulas, foi feito um acordo para que cada profissional dê apenas um treinamento por ano.
Para o supervisor de Treinamento Corporativo, Sílvio Rocha, a sensação de realizar um trabalho como esse é a melhor possível. Ele diz se sentir bem em ajudar quem realmente precisa e que uma atividade como essa valoriza o conhecimento.
- Os alunos são receptivos, me deixam à vontade e com isso acabo me reciclando também. Tive que redescobrir algumas coisas e até descobrir novas formas de comunicação. Isso dá ânimo e é bem produtivo – diz Rocha.