3 de setembro de 2004
TI socialmente responsável
Para o consultor e administrador de empresas Francisco Paulo de Melo Neto, autor dos livros "Gestão da Responsabilidade Social" e "Empresas Socialmente Sustentáveis", a responsabilidade social praticada no meio corporativo está atrelada, na maioria das vezes, aos setores de educação, cultura e meio ambiente.
A Stefanini é mais uma que se encaixa nesse perfil, investindo cerca de R$ 300 mil por ano em ações sociais com foco educacional e em seu próprio instituto, localizado em São Paulo.
O Instituto Stefanini, que em três anos já formou mais de dez mil pessoas, oferece cursos gratuitos, básicos e profissionalizantes, para maiores de 16 anos que vivem nas comunidades próximas à sede da empresa e que comprovem renda familiar igual ou inferior a R$ 1,5 mil. O único custo é com o material didático, de apenas R$ 5, mas a Stefanini entende que não pode exigir esse valor de todos os participantes, já que alguns deles não têm condições sequer de tirar uma foto 3 x 4.
No curso básico, com carga horária de 76 horas, os alunos aprendem noções de microinformática, com aulas de Windows, Word, Excel, PowerPoint e Internet. Como método de familiarização com a informática, antes do módulo de Excel, os alunos assistem a uma aula sobre o jogo Batalha Naval, onde aprendem os conceitos de colunas e células.
Cada turma de informática básica têm 16 alunos no máximo e a única exigência é que o aluno participante já tenha cursado a 8ª série. Para aqueles que querem aprimorar e dar continuidade ao aprendizado em tecnologia, o Instituto Stefanini mantém dois cursos profissionalizantes com carga horária de 120 horas cada, um de suporte, com turmas de oito alunos, e outro de webdesign, com 16 estudantes em sala.
Tanto o curso de suporte - com aulas de manutenção de microcomputadores e instalação de software - quanto a formação de webdesign - que oferece aulas de HTML e Dreamweaver – são realizados duas vezes por semana. Às sextas-feiras, o Instituto reserva seu tempo para os alunos tirarem suas dúvidas com os professores de plantão.
Paralelo a esse treinamento, os estudantes ainda assistem a palestras ministradas pelos funcionários da Stefanini e fazem outros cursos complementares, como noções de inglês, tai chi chuan, técnica vocal e primeiros socorros.
- Nossos profissionais convivem com os alunos dentro e fora do Instituto, já que alguns são aproveitados pela empresa, exercendo funções como auxiliar administrativo e recepcionista – conta a diretora do Instituto Stefanini, Maria José Machado.
Como é de se esperar, a procura por uma vaga na instituição é enorme, com uma fila de espera de aproximadamente duas mil pessoas, que aguardam, em média, seis meses para serem atendidas.
Os adolescentes menores de 16 anos também recebem o apoio do Instituto Stefanini, visando a mantê-los em contato direto com a tecnologia, oferecendo acesso gratuito à Internet, durante uma hora, durante três dias por semana. Nesse trabalho, a instituição conta com a parceria da Microsoft, que doou os softwares, e da Stefanini Training, vertente da empresa no ramo de treinamentos corporativos em TI, que adaptou o conteúdo dos seus cursos para os aprendizes da comunidade.
Outro caso de parceria e que deu margem à realização de um importante trabalho social, ocorreu na Bahia, quando a Stefanini contou com o apoio da Petrobrás. O projeto, que visava à capacitação de jovens do Instituto Bom Samaritano, em Salvador, teve início em 2002. Na ocasião, a Stefanini doou um laboratório equipado com 20 computadores para aulas de infra-estrutura e manutenção do Instituto.
Dos jovens treinados nesse projeto, a Stefanini aproveitou 25 deles no ano passado e ofereceu a cada um deles um treinamento voltado para a formação MCP da Microsoft, com preparação para a certificação. Ao término do curso, dois alunos foram selecionados para trabalharem em um projeto de inventariado tecnológico da Petrobras.
- Esta ação nos permitiu inserir esses jovens no ambiente corporativo – ressalta o diretor de Negócios da filial da Stefanini em Salvador, Carlson Carvalho.
No que diz respeito à responsabilidade social, a empresa não se dá por satisfeita e pretende ampliar suas ações para todas as cidades onde ela mantém uma filial, com a abertura de institutos como o de São Paulo. Já a satisfação dos funcionários em trabalhar em uma empresa cidadã e o retorno das comunidades beneficiadas é a motivação para continuar o trabalho.
- Os funcionários crescem tendo contato com a realidade desses jovens, que estão longe das drogas e da violência que a gente vê nos jornais – diz Maria José Machado.