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Publicado em 13 de abril de 2000    
Entrevista com: Raio X
Ligia Capdeville da Paixão
SimulTrans

Já trabalhou em outra área?

Não, por pura falta de tempo mesmo. Com 21 anos, não dá pra ter feito muitas coisas diferentes.


Há quanto tempo trabalha nessa função?

Há pouco tempo, ainda sou estagiária. Na área de localização e tradução técnica, já comecei na SimulTrans. Antes disso, já fiz trabalhos como free-lancer, traduzindo home pages. Também prestei serviços para a DHP Produções, traduzindo e legendando programas e filmes da Globosat (GNT e Telecine).


Como é o seu dia-a-dia de trabalho?

Existe o tradutor que trabalha in-house, dentro de agências ou editoras de software - que é o meu caso. Entretanto, grande parte dos que trabalham em agências também faz localização e tradução para outras empresas como free-lancer nas horas vagas, à noite e nos fins de semana. É uma vida dura, mas bem compensada financeiramente!

A maioria dos localizadores trabalha em casa, no computador, conectada à Internet na maior parte do tempo para poder buscar novos trabalhos, entrar em contato com agências de tradução e baixar os arquivos com que irá trabalhar.

Explicando melhor a minha atividade: dentro da tradução técnica, existe uma área que cresce a todo o momento: a de localização. Trata-se do processo de adaptar um software aos diferentes países onde ele será comercializado, o que envolve mais coisas que uma simples tradução técnica. Além da tradução, há todo um trabalho de engenharia de software por trás. Isso sem falar que o localizador tem de ter um conhecimento das técnicas para poder lidar com os arquivos do tipo DLL, RC, HELP e Readme.


O que mais atrai você na sua atividade?

Sinto-me satisfeita e sempre com vontade de aprender mais, pois as novidades na área tecnológica influenciam diretamente no mercado de localização, não só para ajudar na tarefa, como também por trazer mais material a ser traduzido. É como um poço sem fundo: quanto mais novidades na área de hardware e software, mais material haverá para ser traduzido. Às vezes acho que nunca faltará serviço!

Além disso, como existem programas para todos os gostos, hoje posso estar fazendo uma tradução de um software gerenciador de call center e amanhã estar traduzindo o novo jogo do Pokemon. É estimulante! :-)


Mande a sua dica para os profissionais iniciantes:

Além de saber traduzir bem, é fundamental aprender a mexer nas principais ferramentas e estar sempre atualizado, buscando novidades. Os "freelas", principalmente, devem estar em contato com outros profisisonais da área para trocar idéias e se informar do que há de novo.

Em termos de formação, ao contrário do que a maioria pensa, além de saber bastante uma outra língua, para ser tradutor é necessário ter sólidos conhecimentos de língua portuguesa. Por isso, o curso superior mais indicado é o de Letras, com ênfase em Tradução. No Rio de Janeiro, somente a PUC oferece o curso; em São Paulo, há um número maior de cursos, não apenas dentro das graduções em Letras, como também em cursos de extensão, oferecidos pela Via Rápida. Aqui no Rio, de tempos em tempos, a agência Arquitexto também oferece um curso de localização.


Quais são as perspectivas na sua área?

A valorização do profissional free-lancer é altíssima. No Brasil, a remuneração por palavra é de no mínimo 7 centavos, chegando a 10 ou 12 centavos. Se o trabalho vier de agências americanas e européias, o valor praticamente dobra. Levando-se em consideração que o "freela" faz de 2,5 mil a 5 mil palavras por dia, depois de 20 dias trabalhos ininterruptos, ele terá no mínimo R$ 4 mil pelo trabalho.

O valor máximo que um autônomo vai conseguir depende de sua capacidade diária de tradução e do volume de trabalho que as agências confiam ao profissional. Quanto maior for a qualidade da tradução, mais trabalho o localizador terá.

É importante lembrar também o fator pontualidade, que também conta pontos. Como os trabalhos geralmente são feitos com prazos apertados, um tradutor que, além da qualidade, cumpre com as datas costuma ser premiado com mais trabalhos.

Para encerrar, há uma demanda por tradutores que saibam unir o conhecimento lingüístico bom com os conhecimentos técnicos sobre ferramentas de localização. Infelizmente (ou felizmente) ainda é uma parcela pequena a de tradutores preparados.


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